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domingo, 20 de agosto de 2017

Desembargador ameaça deixar sessão por causa de roupa de advogada em GO


Da Folha 

Domingo, 20 de agosto de 2017

                       Vestido que causou polêmica em tribunal durante audiência em Goiás

Um desembargador do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 18ª Região, em Goiânia, ameaçou deixar uma sessão de julgamento por considerar inapropriada a roupa da advogada que se levantou para fazer a sustentação oral do processo. O impasse ocorreu na manhã da última  quinta-feira (17).

Em vídeo gravado por um dos advogados que estavam presentes no local, o desembargador Eugênio José Cesário Rosa faz duras críticas à vestimenta da advogada. “O fórum é todo feito de simbologia, olha as bandeiras de simbologia lá, olha nossas togas, a que a senhora vai vestir aí e a senhora vem fazer uma sustentação oral de camiseta? Se for para fazer, eu saio”, afirma.

A advogada Pamela Helena de Oliveira Amaral, 33, usava um macacão longo de cor escura. O modelo deixa os ombros descobertos.

A sessão só continuou depois que uma advogada emprestou um blazer para Amaral.

O regimento do tribunal diz que o advogado só pode fazer a sustentação oral após colocar a beca. Amaral diz que foi interrompida pelo desembargador antes que pudesse vestir a roupa. Ela seguiu em pé, parada, enquanto o desembargador falava.

“Podem discordar, mas nós temos um decoro forense a cumprir. Tem que estar à altura na forma e na aparência com o exercício dessa atividade e a senhora vem fazer sustentação oral de camiseta?” afirmou ele.

No vídeo, a presidente da sessão de julgamento, desembargadora Iara Teixeira Rios, diz que a advogada não estava de camiseta, mas, sim, de vestido.

“O desembargador não deu tempo nem de a advogada vestir a beca. A advogada mal levantou e ele começou a criticar a roupa dela”, diz o advogado Lucas Jabur Chaves, que gravou o vídeo da sessão.

A advogada Amaral diz que estuda a possibilidade de ingressar na Justiça com ação de indenização por danos morais contra o magistrado por causa do episódio.

“Não tenho medo de perseguição, embora provavelmente vá ocorrer”, diz ela. “Eu me senti extremamente envergonhada e constrangida por ele ter chamado a minha atenção da forma que fez. Só prossegui com o exercício da profissão no julgamento porque tenho compromisso ético com o meu cliente, mas desabei por dentro”, afirma.

“Eu não chorei, me mantive firme, mas, depois que saí da sala de sessão, fui para o banheiro e desabei no choro”, afirma ela, afirmando já usou modelos semelhantes de roupa em sessões do TST (Tribunal Superior do Trabalho), em Brasília.

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