As equipes de resgate da Indonésia encontraram mais pedaços de corpos nesta terça-feira (30/10), na área onde um avião da companhia Lion Air caiu com 189 pessoas, na segunda-feira (29/10), tragédia provocada por uma falha em um instrumento de bordo.

O Boeing 737 MAX 8, da companhia aérea indonésia de baixo custo, estava em operação há apenas alguns meses e desapareceu dos radares 13 minutos depois de decolar em Jacarta. A aeronave caiu no Mar de Java após solicitar ao controle aéreo permissão para retornar à capital do país.

Dezenas de socorristas e mergulhadores foram enviados ao local da queda do voo JT 610. As autoridades não têm muita esperança de encontrar sobreviventes.

Até o momento, as equipes utilizaram 10 sacos mortuários para guardar pedaços de corpos que serão enviados a Jacarta para análise de DNA, o que deve permitir a identificação, informou Muhammad Syaugi, diretor da Agência Indonésia de Investigação e Resgate.

O vice-comandante da Polícia Nacional, Ari Donao Sukmanto, disse que, entre os corpos encontrados, estaria o de um bebê.

As equipes de emergência também usaram 14 bolsas para guardar objetos recuperados, como sapatos, peças de roupa e carteiras. “Esperamos ver a maior parte dos destroços do avião, tudo o que estava na superfície foi recuperado”, disse Syaugi.

O Comitê de Segurança de Transportes Nacionais (NTSC) informou que a aeronave transportava 178 passageiros adultos, uma criança, dois bebês, dois pilotos e seis membros da tripulação. Entre eles, estavam 20 funcionários do Ministério das Finanças indonésio e o ex-ciclista italiano Andrea Manfredi.

O impacto provavelmente aconteceu a grande velocidade. Na região onde o avião caiu, o mar tem uma profundidade de entre 30 e 40 metros.

“Nossa prioridade é encontrar os principais destroços, com a ajuda de cinco navios de guerra equipados com detectores de metais”, declarou Yusuf Latif, porta-voz da Agência de Buscas. As duas caixas-pretas – uma que registra as conversas e outra que registra os parâmetros de voo – não foram encontradas.

Investigações
O avião seguia para Pangkal Pingang, cidade de passagem para os turistas que viajam à ilha vizinha de Belitung. A Lion Air informou que o Boeing estava em serviço desde agosto. O piloto e o copiloto tinham mais de 11 mil horas de voo. Recentemente passaram por exames médicos e testes de drogas, de acordo com a empresa.

Na segunda-feira, o presidente da Lion Air, Edward Sirait, admitiu que o avião passou por reparos em Bali antes de seguir para Jacarta. Ele não entrou em detalhes, mas citou um “procedimento normal”.

A emissora BBC, que teve acesso a um relatório técnico sobre o voo Bali-Jacarta, citou uma “falta de confiabilidade” de um instrumento para medir a velocidade e divergências nas medições da altitude entre os aparelhos do piloto e do copiloto.

A companhia aérea não respondeu aos pedidos de entrevista. A Boeing se declarou “profundamente triste” e “disposta a dar assistência técnica à investigação do acidente”.

A Indonésia, um arquipélago do sudeste asiático com 17 mil ilhas e ilhotas, é muito dependente do transporte aéreo, e os acidentes são frequentes. A Lion Air já registrou vários incidentes, o mais grave deles em 2004, quando 26 pessoas morreram depois que um avião saiu da pista em Solo, no centro de Java.

Agência Estado

 

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