Foto: Pablo Martinez Associated Press/Estadão Conteúdo

O presidente Donald Trump anunciou nesta terça-feira (8/5) que os Estados Unidos vão se retirar do tratado nuclear com o Irã. De acordo com ele, trata-se do “pior acordo da história”.

O líder norte-americano ignorou os apelos de seus parceiros europeus para a permanência dos EUA no pacto fechado em 2015 entre o Irã e as cinco potências com direito de veto no Conselho de Segurança (EUA, Reino Unido, França, China e Rússia) e a Alemanha.

Nas últimas semanas, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, Emmanuel Macron, foram a Washington a fim de tentar convencer Trump a manter os EUA no acordo. Nessa segunda-feira (7), foi a vez de o ministro britânico do Exterior, Boris Johnson, ir a Washington se reunir com autoridades do governo americano para enfatizar a posição dos parceiros europeus.
Trump vinha exigindo, sem sucesso, modificações no acordo fechado pelo seu antecessor, o ex-presidente Barack Obama, que prevê o alívio das sanções internacionais ao Irã em troca de um maior controle sobre seu programa nuclear.

Segundo Trump, para que os EUA não abandonassem a aliança, os parceiros europeus deveriam “consertar os problemas” do tratado. Mas as conversas entre os Estados Unidos e seus aliados na Europa parecem ter chegado a um impasse.

Impacto econômico
Com a saída do acordo, o alívio de sanções ao banco central iraniano e aos negócios no setor petrolífero serão revogados, um dos pontos-chave da negociação, restringindo ainda mais a combalida economia do país. A moeda iraniana perdeu cerca de um terço de seu valor em seis meses, antes que as autoridades em Teerã adotassem a medida drástica de fixar a cotação do rial iraniano ao dólar.

O abandono do pacto terá também consequências globais, aumentando as tensões no Oriente Médio. Os Estados Unidos não chegaram a acusar o Irã de não cumprir com suas obrigações dentro do acordo, mas rejeitam uma cláusula que permite a volta do país no sentido de desenvolver algumas partes de seu programa nuclear a partir de 2025. Washington critica também o apoio iraniano ao regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, ao grupo xiita Hisbolá no Líbano e aos rebeldes xiitas houthi no Iêmen.

Sinais de Teerã
A decisão dos EUA de abandonar o pacto ganhou ainda mais força após a nomeação de John Bolton – um ferrenho crítico do acordo nuclear – como assessor de Segurança Nacional da Casa Branca e de Mike Pompeo como secretário de Estado.

Ambos defendem uma postura diplomática mais agressiva de Washington não apenas na questão do acordo com o Irã, mas, também, por exemplo, na imposição de sobretaxas às importações americanas de aço e alumínio, que gerou atritos com parceiros comerciais dos EUA, entre estes, a China e o Brasil.

Conforme reconheceu o presidente iraniano, Hassan Rohani, seu país poderá enfrentar dificuldades caso os EUA abandonem o acordo. “É possível que tenhamos de enfrentar alguns problemas durante dois ou três meses, mas vamos superar tudo isso”, afirmou.

Ele acenou que seu país continuará disposto a colaborar com a comunidade internacional, independentemente da decisão tomada por Washington. “A base de nossa política externa são as relações construtivas com o mundo”, disse Rohani. “Se estivermos ou não sob sanções, vamos nos manter em pé por nossos próprios meios.”

Anteriormente, o presidente iraniano havia dito que os americanos enfrentarão um “arrependimento histórico” se saírem do acordo nuclear com o Irã.

Deutsche Welle

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