Após detectar evidências de comércio de seguidores e curtidas, o Facebook derrubou, na manhã desta quarta-feira (15/8) uma rede de “engajamento falso” formada por 72 grupos, 50 contas e cinco páginas na rede social. Foram deletadas ainda 51 contas no Instagram, que eram relacionadas ao mesmo grupo. Mantida por brasileiros, a rede foi detectada durante uma investigação sobre a amplificação artificial de engajamento em páginas políticas no México, durante a recente campanha eleitoral naquele país.

Quem descobriu o mercado de compra e venda de engajamento foi o Digital Forensic Research Lab (DFRLab), uma unidade investigativa do Atlantic Council, organização não-governamental norte-americana que municia o Facebook com informações sobre “ameaças de abusos” e “campanhas de desinformação” na rede social.

Segundo relatório do Atlantic Council a que o jornal O Estado de S. Paulo teve acesso, a rede negociava “likes”, seguidores e até páginas em troca de dinheiro.

No México, teria se envolvido na promoção de conteúdo político, principalmente contrário ao então candidato Andrés Manuel López Obrador, conhecido como AMLO, que acabou eleito. “Com o primeiro turno das eleições brasileiras marcado para o dia 7 de outubro, essa rede tinha o potencial de reproduzir em casa as operações mexicanas”, informou a entidade.

O relatório obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo detalha as atividades da rede e os indícios coletados durante a investigação. Não há no texto nenhuma menção a políticos brasileiros.

A partir das irregularidades detectadas pelo DFRLab, o Facebook fez suas próprias investigações e mapeou todas as conexões da rede. A justificativa para a remoção das páginas e perfis é a violação de políticas de autenticidade e de spam. “Não permitimos o uso de informações enganosas ou imprecisas para conseguir curtidas, seguidores ou compartilhamentos”, afirma um trecho do documento Padrões da Comunidade, que estabelece as regras de uso do Facebook. A plataforma também não permite que usuários usem identidades falsas.

No final de julho, o Facebook desativou no Brasil uma rede de 196 páginas e 87 perfis que teria “o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”, segundo comunicado da empresa. Na operação, foram derrubadas diversas páginas ligadas ao Movimento Brasil Livre (MBL), que reúne ativistas de direita.

Na rede eliminada nesta quarta-feira, não há evidências de ativismo político, ao menos no Brasil. O grupo era coordenado por uma entidade que se apresentava como PCSD, sigla que faz referência a “pegar comunidade sem dono”, uma prática existente na época em que o Orkut era a rede social dominante no País.

Existe uma linha que liga o grupo PCSD a “robôs” que teriam atuado durante a eleição mexicana, segundo o DFRLab. A entidade detectou, por exemplo, que reações a dois posts de conteúdo político inflamatório, em duas páginas distintas de Facebook, “vieram não apenas de contas brasileiras, mas das mesmas contas brasileiras, e reagiram na mesma ordem”.

“Observar tantas reações de contas de outro país sugere que as curtidas não foram resultados de interesse orgânico, mas de alguma forma de transação”, diz o relatório do DFRLab. “Que as contas façam a mesma coisa na mesma ordem é um indício de que eram automatizadas.”

O DFRLab detectou conexões entre os usuários brasileiros que interagiram no México e uma página brasileira, chamada Frases & Versos, que acumula mais de 5,3 milhões de curtidas. Ela não foi deletada e segue sob análise do Facebook.

Agência Estado

http://www.portalcn1.com.br/wp-content/uploads/2018/08/06-19.jpghttp://www.portalcn1.com.br/wp-content/uploads/2018/08/06-19-150x150.jpgPortal de Notícias CN1GeralGeralApós detectar evidências de comércio de seguidores e curtidas, o Facebook derrubou, na manhã desta quarta-feira (15/8) uma rede de “engajamento falso” formada por 72 grupos, 50 contas e cinco páginas na rede social. Foram deletadas ainda 51 contas no Instagram, que eram relacionadas ao mesmo grupo. Mantida por...Portal de Notícias CN1
slp6p5

jku7bl