Os dois responsáveis pelo massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), eram ex-alunos do colégio e usaram armas atípicas para atacar alunos e funcionários. O crime aconteceu no horário do intervalo, por volta 9h30, quando os estudantes estavam fora das salas. Dez pessoas morreram — incluindo os autores e o tio de um deles, que não estava no colégio – e ao menos 23 vítimas foram encaminhadas a hospitais.

Os criminosos foram identificados como Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos. O aniversário de Luiz Henrique seria no próximo dia 16, quando ele faria 26 anos. Já Monteiro atingiria a maioridade no dia 5 de julho. Os dois cometeram suicídio assim que a Polícia Militar chegou à instituição de ensino.

Pouco antes de chegar até a escola, Guilherme efetuou um disparo contra seu tio numa concessionária de veículos onde já havia trabalhado. Nas redes sociais, ele publicou que estava “viajando para São Paulo” e incluiu 30 fotos. Entre as imagens, estão retratos segurando a arma usada no tiroteio e com uma máscara de caveira com a qual foi encontrado.

Além de uma arma de fogo calibre .38, os dois portavam armas incomuns: uma besta – que é uma arma medieval –, arco profissional, machado, coquetel molotov e explosivos.

À revista Veja, o avô de Guilherme afirmou que o neto morava com ele e que os pais do adolescente eram dependentes químicos. Segundo a revista, alunos que se encontravam em frente ao local do crime disseram que Guilherme ameaçou colegas num shopping, três dias antes.

O avô disse ainda que o neto trabalhou na concessionária do tio que foi atingido antes do ataque à escola e que havia sido demitido há dois anos. “Era um menino bonzinho, não tinha problemas com drogas e nunca me deu trabalho”, disse o avô à Veja.

Entenda
A escola de Suzano, onde ocorreu o massacre, fica a cerca de 50 quilômetros da capital São Paulo, tem ensino fundamental e médio, além de um centro de línguas. Lá estudam cerca de mil alunos e trabalham 121 funcionários.

Vítimas
A polícia identificou as oito vítimas do massacre na escola estadual Raul Brasil. Entre elas, estão duas funcionárias da instituição de ensino, Marilena Ferreira Vieira Umezo e Eliana Regina de Oliveira Xavier. Cinco jovens, todos estudantes do ensino médio, e um comerciante da região também perderam a vida no ataque.

Pablo Henrique Rodrigues, Cleiton Antônio Ribeiro, Caio Oliveira, Samuel Melquíades Silva de Oliveira e Douglas Murilo Celestino estavam no pátio, durante o intervalo das aulas, quando foram surpreendidos pelos tiros.

Jorge Antônio Moraes, dono de uma locadora de veículos que fica ao lado do colégio, foi o primeiro a ser atingido pelos atiradores. Ele seria tio de Guilherme. Jorge foi socorrido e levado ao hospital municipal de Suzano, mas não resistiu.

Durante coletiva de imprensa, o comandante da PM de São Paulo, coronel Marcelo Vieira Salles, afirmou que os agentes do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar impediram os criminosos de entrarem em uma sala de aula e atirarem contra outros 10 alunos, que se escondiam no espaço.

Vídeos
Minutos após o ataque, um cenário de horror se formou no colégio Raul Brasil. As imagens mostram alunos caídos no chão e uma grande quantidade de sangue espalhada pelo local. Na gravação, é possível ver ao menos cinco corpos nos corredores da escola.

Estudantes correm no pátio gritando em direção a pessoa que está gravando. Em desespero, uma aluna pede socorro. “Me ajuda, meu Deus”, gritou, ao sair correndo.

Imagens gravadas por câmeras de segurança na rua da escola filmaram o momento em que os dois atiradores estacionaram um Ônix branco em frente ao colégio e entraram para cometer o massacre. O vídeo foi divulgado pelo site O Antagonista.

Nas imagens, é possível ver o carro estacionando em frente ao portão de entrada da escola. Logo em seguida, o passageiro desce do carro e parece conversar com o motorista. Com uma mochila nas costas e carregando algo nas mãos, ele deixa a porta do passageiro aberta e dá a volta por trás do carro, parando ao lado da janela do motorista.

O rapaz parece continuar o diálogo com o motorista do carro por alguns instantes e, em seguida, se vira e entra na escola. O motorista demora no carro por alguns minutos, mas logo sai com certa pressa e atravessa o portão da escola. Assim como seu comparsa, ele levava uma mochila nas costas e carregava algo nas mãos. Em poucos segundos vários adolescentes parecem fugindo.

Outros massacres
Realengo (RJ), Goiânia (GO), Medianeira (PR), Campinas (SP) e São Paulo (SP) são cidades brasileiras marcadas pelo derramamento de sangue em locais de grande movimento, como escolas, igrejas e até cinemas. Em duas décadas, ao menos 22 pessoas morreram nesse tipo de massacre.

Em Realengo, 12 pessoas foram mortas e 22 ficaram feridas na Escola Municipal Tasso da Silveira, em abril de 2011. Portando dois revólveres calibre .38 e equipamento para recarregar rapidamente as armas, Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, atirou contra alunos em salas de aula lotadas. Ele foi atingido por um policial e se suicidou.

Wellington baleou duas pessoas ainda do lado de fora da escola e entrou no colégio dizendo que faria uma palestra. Na carta encontrada com o atirador, ele falava de questões religiosas e dava indícios de que o ataque foi premeditado. Segundo as investigações, ele havia feito pesquisas relacionadas a atentados terroristas e a grupos religiosos fundamentalistas.

Uma missa acontecia na Catedral Metropolitana de Campinas (SP) quando Euler Fernando Grandolpho, 49 anos, abriu fogo contra fiéis em dezembro de 2018. Ele matou cinco pessoas e cometeu suicídio. Outras quatro ficaram feridas após serem atingidas pelos disparos.

Os investigadores descobriram que o atirador fazia uma espécie de diário onde anotava placas de carros e outras informações sobre supostos perseguidores. Ele chegou a registrar boletins de ocorrência sobre os casos.

Um estudante de medicina, em novembro de 1999, entrou em uma das salas de cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo, e abriu fogo contra a plateia durante a sessão do filme Clube da Luta. Armado com uma submetralhadora 9 mm, ele atirou contra 66 espectadores. Três pessoas morreram e quatro ficaram feridas. O homem só parou quando foi contido por policiais.

Manoela Albuquerque/Metrópoles

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