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terça-feira, 25 de março de 2014

Câmara aprova Marco Civil da Internet

Câmara aprova Marco Civil da Internet



Texto é considerado espécie de constituição para a internet. Governo abriu mão de pontos considerados 'cruciais' em troca da aprovação. Projeto segue para o Senado.


Terça-Feira, 25 de março de 2014


Apoiadores acompanharam da galeria lei considerada Constituição da rede (Foto: Gustavo Lima/Câmara)


Após meses de intensas negociações, a Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (25), por votação simbólica, a criação do Marco Civil da Internet, projeto considerado uma espécie de constituição da rede mundial de computadores. Após concessões do governo em pontos antes considerados "cruciais" pelo Planalto, partidos aliados e da oposição retiraram todas as 12 propostas de alteração ao texto que haviam sido apresentadas em plenário.
Até o PMDB, maior crítico ao relatório do deputado Alessandro Molon (PT-RJ), cedeu e se absteve de defender quaisquer modificações na redação. A proposta, que estabelece direitos e deveres de usuários e provedores de rede, seguirá agora para análise no Senado antes de ir à sanção presidencial.
Considerado "prioridade" pelo governo, o Marco Civil da Internet impedia a deliberação de outros projetos de lei no plenário desde outubro do ano passado, já que tramitava em regime de urgência.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Câmara Federal aprova hereditariedade na licença de exploração do Serviço de Táxi

Câmara Federal aprova hereditariedade na licença de exploração do Serviço de Táxi



CN1

Quinta-Feira, 26 de setembro de 2013




Foi aprovada, no dia 9 de setembro, na Câmara Federal, a Medida Provisória 615 de 2013 que, entre outros temas, institui a hereditariedade na licença para exploração do serviço de táxi. No dia 11 de setembro o Senado aprovou a MP, que agora segue para a sanção da presidente Dilma Rousseff.

O deputado federal Francisco Escórcio (PMDB-MA) foi um dos líderes dentro da Câmara Federal para a aprovação da MP 615 em favor da hereditariedade dessa licença.

“Agora, as famílias dos taxistas terão mais tranquilidade, pois a concessão da maneira que aprovamos é quase que um bem familiar”, disse Chiquinho Escórcio.

Os senadores Renan Calheiros e Gim Argello e o deputado Chiquinho Escórcio lutaram com afinco para que a medida fosse aprovada, beneficiando, assim, a categoria dos taxistas.

Desde que a presidente Dilma vetou a Medida Provisória 610, que garante o direito de hereditariedade começou um novo trabalho de fazer uma outra MP. Em 27 de agosto, começou as atividades de um novo texto para a MP 615. A redação do texto foi embasada no parecer jurídico e acordado com a AGU. O texto inicial foi feito pela equipe do senador Gim. 


Veja abaixo texto aprovado no Congresso:

Art.12. Os servidores de utilidade pública de transporte individual de passageiros deverão ser organizados, disciplinados e fiscalizados pelo poder público municipal, com base nos requisitos mínimos de segurança, de conforto, de higiene, de qualidade dos serviços e de fixação prévia dos valores máximos das tarifas a serem cobradas.

(NR)

Art. A Lei 12.587 de 2012 é acrescido dos seguintes artigos:
Art. 12-A. O direito à exploração de serviços de táxi poderá ser outorgado a qualquer interessado que satisfaça os requisitos exigidos pelo poder público local.
§ 1º É permitida a transferência da outorga a terceiros que atendam os requisitos exigidos em legislação municipal.
§ Em falecendo o outorgado, o direito à exploração do serviço será transferido a seus sucessores legítimos nos termos dos artigos 1829 e seguintes do Título II do Livro V da Parte Especial do Código Civil Brasileiro.
§3º As transferências de que tratam os §§ 1º e 2º dar-se-ão pelo prazo da outorga e estão condicionadas à prévia anuência do poder público municipal e ao atendimento dos requisitos fixados para a outorga.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Você exigiria?

Você exigiria?


Por David G. Borges

Segunda-Feira, 10 de junho de 2013

Você exigiria?










Se sua mulher fosse estuprada e engravidasse do criminoso, você exigiria que ela desse à luz?
Cuidaria dela e daquele filho que não é seu, fruto de um abuso, uma violação, durante nove meses?
Pois é exatamente isso que os deputados Luiz Bassuma (PT-BA) e Miguel Martini (PHS-MG) querem que você faça. Eles são os autores do “Estatuto do Nascituro”, um projeto de lei de 2007 que acabou de ser aprovado pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara.
Na verdade, a ideia é um pouco anterior. O texto que acaba de ser aprovado é uma nova versão de um projeto de 2005 que já foi arquivado, cuja redação original foi dos deputados Osmânio Pereira e Elimar Máximo Damasceno. Imediatamente depois do primeiro “estatuto” ser rejeitado, o modificaram um pouco e apresentaram a proposta novamente. Em outras palavras, estão tentando nos empurrar goela abaixo algo que já foi considerado inválido.
Me dirijo aos homens, como eu, porque normalmente leis que versam sobre esse tipo de tema são solenemente ignoradas por nós. Não é comum ouvirmos falar de um homem estuprado, embora ocorra. A maioria dos que são vítimas nunca tocam no assunto por vergonha. E homens não engravidam. Por outro lado, a cada 12 segundos uma mulher é estuprada no Brasil. Até você chegar a este ponto do texto, já foram pelo menos três.
Talvez por isso boa parte de nós, homens, tenhamos dificuldade em nos colocar no lugar delas. Faça um exercício de imaginação. Imagine a mulher que você ama sendo ameaçada por outro homem. Imagine ele batendo nela. Imagine ele tirando a roupa dela à força, e em seguida enfiando o pênis dele nela. Imagine o que ele está falando e como ela tenta se livrar dele. Imagine o sêmen dele jorrando para dentro dela. Agora imagine ela grávida depois disso tudo. O que se passaria na cabeça dela – e na sua – se tudo isso acontecesse? O que você e ela fariam quando soubessem da gravidez?
Suponho que neste momento a maioria dos leitores já desistiu de continuar, possivelmente devido a uma descrição tão vívida de um estupro. Mas é importante falarmos um pouco mais sobre o tal estatuto. De forma maquiada, enfeitado por uma série de palavras bonitas, ele prevê que toda gestante deve levar a gravidez até o fimTodas elas.
Pouco importa se a concepção foi devido a uma violência sexual, se o feto não tem chances de sobreviver após o nascimento (como no caso de anencéfalos), se sofre de alguma doença grave, ou se a gestação apresenta risco de vida para a gestante e/ou para o bebê. Em todos esses casos, a mulher teria de ir até o fim. Se isso representar um risco para a vida ou para a saúde dela, incluindo a saúde mental, dane-se. Pouco importa o que ela pensa sobre o assunto. E pouco importa o que você – marido, pai, irmão ou filho – pensa sobre o assunto.
Mas esse não é o único absurdo dessa proposta insana. Caso sua esposa, filha ou irmã tente interromper a gravidez de alguma forma, ficará na prisão por um a três anos. O médico ficará preso por quatro a dez anos. E se você, leitor, tiver se manifestado a favor do que ela fez, será preso também – durante um a dois anos.
E não é só isso. Qualquer um que se referir ao “nascituro” com “palavras ou expressões pejorativas” pode ficar encarcerado por até seis meses. Se manifestar publicamente a favor de um aborto ou de alguém que o tenha praticado renderia de seis meses a um ano de prisão. Essa mesma pena seria aplicada a alguém que “injuriasse” o nascituro através de um veículo de comunicação. Coitado do Rafinha Bastos.
Por sinal, o tal estatuto tem também algumas coisas a dizer sobre fertilização in vitro e pesquisas com embriões. “Congelar, manipular ou utilizar nascituro como material de experimentação” passará a render de um a três anos na cadeia. Nunca mais teremos clínicas de fertilização artificial no Brasil, pois todas elas dependem desse tipo de técnica. Os casais inférteis que sonham em ter filhos terão de buscar tratamento em outros países ou desistir de vez do sonho.
Essa também é uma boa pergunta que pode ser feita ao leitor: se você e sua esposa não conseguissem ter filhos pelo método tradicional, gostaria que o governo te proibisse de tentar uma fertilização em laboratório?
Eu poderia gastar linhas e mais linhas argumentando sobre como a pesquisa científica no Brasil já é atrasada em algumas áreas e como isso se deve, em parte, à nossa legislação conservadora no que tange o uso de embriões. Poderia apresentar dezenas de estatísticas sobre a violência sexual contra as mulheres e o perfil das vítimas. Poderia apresentar estatísticas sobre o aborto legal e o ilegal, bem como o perfil das mulheres que abortam – em sua maioria católicas, que já possuem um filho e que têm parceiro fixo.
Poderia mostrar como o número de abortos diminuiu nos países em que ele foi descriminalizado. Poderia demonstrar, sem a menor dificuldade, a quantidade de traumas e doenças psicológicas que se desenvolvem em mulheres que engravidam de estupradores. Poderia mostrar o histórico dos deputados autores da proposta, evidenciando que são faltosos e possuem projetos irrelevantes. Também não seria nem um pouco difícil demonstrar como a questão sobre “em que momento se inicia a vida”, tão difundida nos debates de senso comum sobre o assunto, é completamente errônea e enganosa. Mas, sinceramente, nada disso interessa mais.
A informação está ao alcance de qualquer um que tenha acesso à internet e se dê ao trabalho de digitar algumas palavras em um site de pesquisa. O que interessa realmente é que existem políticos no Brasil que acreditam que deve-se promover direitos humanos para alguns negando-os a outros. Querem ampliar os direitos de um ovo – sim, esse é o termo técnico que designa o óvulo fecundado: ele só se torna um embrião semanas depois – enquanto retiram direitos das mulheres adultas. E dos homens adultos também, por tabela. Um punhado de células, sem nada que se assemelhe a uma consciência ou uma personalidade, passará a ter mais direitos. E você passará a ter menos.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Câmara pauta projeto da “bolsa estupro”

Câmara pauta projeto da “bolsa estupro”




Congresso em Foco

Quarta-Feira, 22 de maio de 2013





A Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara deve votar na manhã desta quarta-feira (22) uma proposta que está parada desde 2010 e atrai polêmica em toda tentativa de entrar em pauta. Está previsto para ser analisado pela CFT o Projeto de Lei 478/07, que prevê a criação do Estatuto do Nascituro. Combatido por parlamentares ligados a direitos humanos e movimentos feministas, sofre reservas até dos deputados da bancada cristã na Casa.

Elaborado por dois ex-deputados – Luiz Bassuma (PV-BA) e Miguel Martini (PHS-MG) -, o projeto dá ampla proteção ao ser humano já concebido e que ainda não nasceu, o chamado “nascituro”. A proteção chega ao ponto de incluir neste rol os concebidos in vitro, mesmo antes da transferência para o útero da mulher. Além disso, ainda prevê a “Bolsa Estupro”, auxílio criticado por deputadas.

Caso a vítima não queira abortar, apesar da permissão legal para estes casos, e não tenha condições de criar a criança, o Estado arcará com os custos até que venha a ser identificado o pai. “Essa auxílio é uma excrecência humana porque transforma a mulher vítima de estupro numa dependente do seu agressor. Esse projeto é absolutamente contrário aos direitos da mulher. É um retorno à Idade Média”, desabafa a deputada Jô Morais (PCdoB-MG).

Não para aí. Ao estabelecer que a vida começa na concepção, o projeto torna mais difícil ampliar a descriminalização e até a legalização do aborto. Pode, inclusive, acabar com as possibilidades já estabelecidas em lei. “Desde a concepção são reconhecidos todos os direitos do nascituro, em especial o direito à vida, à saúde, ao desenvolvimento e à integridade física e os demais direitos da personalidade”, afirma o projeto.

Crime hediondo

Os autores do projeto justificam que abusos contra os nascituros devem parar imediatamente. “A manipulação, o congelamento, o descarte e o comércio de embriões humanos, a condenação de bebês à morte por causa de deficiências físicas ou por causa de crime cometido por seus pais, os planos de que bebês sejam clonados e mortos com o único fim de serem suas células transplantadas para adultos doentes, tudo isso requer que, a exemplo de outros países como a Itália, seja promulgada uma lei que ponha um ‘basta’ a tamanhas atrocidades”, afirmam.

Bassuma chegou a sair do PT após contrariar o partido se posicionar contrariamente ao aborto. Pela proposta original, o aborto passaria a ser considerado crime hediondo, haveria a tipificação do aborto culposo (sem intenção) e a divulgação de substâncias, processo ou objeto abortíferos. Como ambos não foram reeleitos em 2010, o projeto acabou arquivado. No entanto, a deputada Sueli Vidigal (PDT-ES) pediu para o projeto ser desarquivado.

Discussão

Deputado e pastor evangélico, Roberto de Lucena (PV-SP) ressalta ser absolutamente favorável à proteção dos nascituros e de que haja uma doutrina no país que os resguarde. No entanto, ele ressalta que a proposta em análise ainda não está clara e que precisa ser amadurecida.

Como exemplo, Lucena cita o Artigo 12 do Estatuto, que afirma: “É vedado ao Estado ou a particulares causar dano ao nascituro em razão de ato cometido por qualquer de seus genitores”. Essa redação, se levada a cabo, contraria o Artigo 128 do Código Penal, que permite o aborto em casos de estupro e de risco à vida da mãe. “É preciso tirar dúvidas sobre um tema tão importante. Não pode haver dificuldade de interpretação”, explica o parlamentar, complementando que há dúvidas sobre as dotações orçamentárias que vão compor o benefício pago às vítimas de estupro que levarem a gravidez adiante.

Congresso em Foco