Passado o primeiro turno das eleições deste ano, ocorridas no último dia quatro de outubro, e após interpretar várias análises dos mais diferentes campos e espectros ideológicos, após acuradas investigações, sinto-me agora preparado para dar a minha opinião, porém, irei delimitar a minha análise apenas sobre os números de Chapadinha.
Como já era esperado, o deputado Aluízio Santos (PL) obteve a maior votação no município (21.960 votos), tendo registrado um aumento de 3.412 votos em relação a eleição de 2022, quando obteve 18.548 sufrágios. No cômputo geral, o deputado chapadinhense saltou dos 50.770 votos na eleição passada para impressionantes 77.591 votos nesta eleição, um aumento de 26.821 votos, ou seja, uma variação positiva de quase 53%.
Como os números sempre refletem a realidade, está provado que a grande vencedora desta eleição foi a prefeita Ducilene Belezinha, cuja liderança cada vez mais crescente, refletiu em votos para todos os seus candidatos, uma predição, de que enquanto Belezinha “bater pestana em cima deste chão”, será o nome mais forte da política em toda a região do Baixo Parnaíba.
A oposição tenta criar a narrativa perante a opinião pública de que o grupo governista saiu perdendo, haja vista que tinha uma meta interna muito maior, uma votação recorde ou esmagadora além da alcançada. Se o resultado final ficou abaixo dessa projeção, eles argumentam que houve uma "vitória com sabor de derrota" ou um sinal de desgaste, tentando desidratar o peso político real da conquista.
Para a oposição de Chapadinha, aceitar passivamente a grandiosidade dos números do grupo de Belezinha significaria assinar um atestado de enfraquecimento total. Ao relativizar a vitória, os opositores tentam manter sua própria base motivada, sinalizando que o governismo "não é invencível" e mantendo o cenário aberto para disputas futuras.
Certamente, essa narrativa foca em bairros específicos ou zonas onde o desempenho do deputado ou dos candidatos aliados não foi tão avassalador, ignorando o contexto geral do município ou do estado, onde Aluízio Santos consolidou sua reeleição com votação expressiva.
Na prática da comunicação política, enquanto a situação celebra os dados absolutos das urnas e a consolidação do poder, a oposição busca as margens e as expectativas frustradas para construir um discurso de resistência.
É certo que os números não foram aqueles esperados. Porém, vários fatores devem ser levados em consideração, como: a) Elevada abstenção: O município de Chapadinha possui 60.241 eleitores aptos a votar, porém, 12.195 cidadãos e cidadãs preferiram não exercer o sagrado direito do voto, o que diminuiu o número de votantes a apenas 48.046 eleitores. Destes, apenas 45.070 escolheram candidatos, e 2.971 votaram em branco ou anularam o voto. b) Forte concorrência de candidatos de outras regiões: É natural que candidatos com bases em outras regiões tenham votos por aqui também, porém nestas eleições, houve um número alarmante, a maioria amparados pela máquina do governo estadual, além de impressionante poder econômico. Somente os dez mais votados, receberam 10.307 votos. Outros 12.803 votos foram dados a diversos outros candidatos, c) Abuso de poder econômico: Foi notícia corrente (informal) durante o período eleitoral, que alguns desses candidatos de fora, abusaram da velha prática da compra de votos a preços astronômicos, não tenho conhecimento se foi registrada alguma denúncia perante à Justiça Eleitoral, porém, em conversas de bastidores – nas ruas, nas praças e em rodas de conversa- era só o que se ouvia falar. Como não há provas materiais, fica apenas a suspeita.
Por outro lado, a oposição vive se pabulando de que seus candidatos obtiveram votações expressivas em Chapadinha; o que não é verdade, pois os números foram um fiasco, bem abaixo do esperado, por exemplo, havia a promessa de 7.000 votos para um certo candidato, que no fechar das urnas, não chegou a 3.000 sufrágios. E tudo isso à custa do esforço hercúleo de várias lideranças – todas elas enfraquecidas – ou seja, se houve vitória, foi uma “vitória de Pirro”.
O termo "vitória de Pirro" é uma expressão utilizada para descrever uma conquista obtida a um custo tão alto que se assemelha a uma derrota. Ela ocorre quando o vencedor atinge o seu objetivo imediato, mas os danos, sacrifícios ou perdas sofridas no processo são tão devastadores que anulam o benefício da conquista, deixando-o fragilizado para os desafios seguintes.
O desafio seguinte é a eleição de 2028, quando a bem-avaliada prefeita Belezinha vai eleger o seu sucessor, e posteriormente assumir um cargo de confiança no governo Braide e consolidar mais ainda a sua influência na política maranhense.
(*) Especialista em Ciência Política (Universidade Iguaçu).