Ele pensou que o Maranhão era Ribamar.
Durante toda a campanha, o que se viu foi um uso deslavado da máquina. Funcionários pressionados, servidores coagidos a fazer campanha nas redes sociais, estrutura municipal trabalhando para um projeto pessoal. Teve caso de funcionário que fez campanha no Instagram — mas não votou no filho. A conta não fecha quando a ordem vem de cima e o voto vem de dentro. O eleitor pode até obedecer no palanque, mas na cabine é ele e Deus.
O plano era ambicioso: 30 mil votos só em Ribamar. A realidade entregou 14.252 votos, o que fez de Júlio Filho o campeão de votos na cidade entre os candidatos a deputado estadual. Um número expressivo, sem dúvida. Mas insuficiente.
Júlio Filho recebeu 41.160 votos no total e, mesmo assim, não se elegeu. Ficou na 35ª colocação entre os 42 mais votados. Sua votação foi superior à de oito dos eleitos, mas as regras da Justiça Eleitoral não perdoam quem não atinge o quociente. A soma não fecha. O esforço não compensa. A máquina não elege.
E o que fica é a pergunta que o prefeito precisa responder: se a estrutura inteira do município foi mobilizada, se funcionários foram pressionados, se a máquina foi usada sem pudor — e mesmo assim o filho não se elegeu —, o que isso diz sobre o capital político de Dr. Julinho? O que isso diz sobre a relação dele com o eleitorado de Ribamar?
O prefeito pensou que o Maranhão era Ribamar. Achou que a influência sobre o funcionalismo, o controle da estrutura, a pressão sobre os servidores seriam suficientes para transformar a cidade num curral eleitoral. Mas o eleitor de Ribamar mostrou que não é gado. Mostrou que, mesmo sob pressão, mesmo sob assédio, mesmo sob medo, o voto é dele. E ele faz o que quiser com ele.
A lição fica para quem quer aprender: máquina não elege ninguém. Voto, sim. E voto não se compra, não se pressiona, não se obriga. Voto se conquista.
Aqui, a verdade não se curva.


























