quinta-feira, 22 de junho de 2023

Três fenômenos eleitorais de Chapadinha-MA

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Por  Hipólito Cruz (*)
O lendário Antônio Pontes de Aguiar, com a sabedoria e experiência que acumulou ao longo de vários anos de mandatos eletivos, apregoava que “voto não empanzina”. De fato, o capital mais importante de um político é a sua capilaridade eleitoral, pois esta é o termômetro que mede a relação de intimidade entre o político e sua excelência – o povo.

Na história política de Chapadinha, três grandes vultos se destacaram por protagonizarem um fato que todo político deseja: ser campeão de votos. Dos três, apenas um é chapadinhense da gema, os outros dois, vieram de outros estados e por aqui resolveram armarem as redes e construírem as suas histórias. Por obra e graça da bondade divina, tive – e ainda tenho com dois deles, pois um já foi chamado para o reino eterno – estreitas relações de amizade.

Francisco Tupinambá Lima Galvão, o qual eu o chamava intimamente de “Tupi”, foi o primeiro deles. Na década de 1970, com apenas 18 anos de idade, foi eleito o vereador mais bem votado de Chapadinha. Quebrou dois recordes ao mesmo tempo, o de vereador mais jovem e o de maior votação – até então.

Conheci-o em Bacabal no final dos anos 1980, ele trabalhando como técnico do Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Maranhão (CEAG-MA), eu era gazeteiro – tinha 14 anos na época – Vou explicar o que era um gazeteiro – era o menino que vendia os jornais impressos nas ruas e apregoava aos gritos as manchetes: “Extra...extra...” Tupi era meu cliente cativo, assim como o seu colega José Ribamar Viana, economista e advogado, residente em Bacabal. Tupinambá nos deixou no ano de 2014.

Apesar de ser natural de Chapadinha, foi em Bacabal onde Tupinambá mais contribuiu com a sociedade, pois foi líder comunitário – fundou a associação dos moradores do Bairro Bosque Aracati, foi membro do Conselho Municipal de Cultura, ajudava voluntariamente os artistas em orientação sobre projetos e prestou outros relevantes serviços à sociedade. Hoje, em Bacabal, há uma praça em sua homenagem.

Edmilson Conrado Pinto, esse já tive o prazer de conhecer no ano passado, durante a campanha eleitoral nos eventos do nosso então candidato e hoje deputado Aluízio Santos. Já o conhecia de nome, sempre com referências boas a seu respeito. Homem lúcido e sábio, uma enciclopédia em forma de gente, sempre que o vejo consigo roubar um pouco de seu tempo para ter o prazer de ouvi-lo sobre a história política de Chapadinha, que ele conhece como poucos, haja vista que ele próprio é parte dessa história. Cearense que por aqui apeou ainda na década de 1950, Edmilson Conrado Pinto construiu uma bela história e deu significativa contribuição à vida política e econômica do município.

Nos anos 1980, protagonizou algo espantoso na vida política de Chapadinha ao obter mais de 600 votos para vereador, o que na época representava mais de 10% dos votos do município. A título de comparação, era como se fosse hoje mais de 5000 votos – em termos proporcionais – além de vereador, também foi vice-prefeito. Apesar de está perto de seus 90 janeiros, mantém a aparência jovial e a conversa aprumada. Da última vez em que conversamos, ele soltou essa pérola: “ Nem fico velho e nem fico besta”! De fato, Edmilson Conrado Pinto é daqueles homens que fica mais sábio à proporção que os anos passam.

Antônio dos Santos Sousa, o nosso conhecido Antônio Peroba é um piauiense que por aqui chegou e também escreveu a sua história com letras de ouro. Um grande cidadão, começou na livre iniciativa como vendedor ambulante e hoje é um próspero empresário. No ano de 2008, estreou na vida política e conseguiu “espocar as urnas” com impressionantes 1843 votos, a maior votação nominal de toda a história política de Chapadinha – proporcional, continua sendo de Conrado Pinto-

Um grande homem – no sentido moral – e um homem grande – no sentido físico – Peroba é um dos melhores seres humanos que já conheci. Generoso, altruísta, paciente e sensível ao sofrimento do próximo, nunca o ouvi dar um não como resposta a quem o procura - merece nosso respeito e admiração. Concluiu o ensino médio já depois de sexagenário, inclusive no dia de sua formatura, eu estava presente e lembro dos professores exaltando a sua dedicação.

Esses três homens, cada um no seu tempo, nos legaram os seus exemplos de homens públicos honrados, sendo pois referências para a presente e também para as próximas gerações.

(*) Pós-graduado em Ciências Políticas.
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