Cristiano Capovilla – Prof. Dr. em Filosofia (UFMA) e Diretor Científico da FAPEMA
Ao refletirmos sobre os últimos vinte anos do Prêmio FAPEMA, é impossível fazê-lo sem reconhecer o papel estruturante desempenhado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão. Mais do que uma agência de fomento, a FAPEMA consolidou-se, nesse período, como um verdadeiro eixo articulador entre conhecimento, políticas públicas e projeto de desenvolvimento estadual.
Ao longo dessas duas décadas, a FAPEMA foi decisiva para a interiorização da pesquisa científica no Maranhão. Ao apoiar universidades, institutos federais e centros de pesquisa distribuídos em diferentes regiões do estado, contribuiu para romper a histórica concentração da produção científica nos grandes centros urbanos, fortalecendo vocações locais e valorizando problemas concretos da realidade maranhense: da biodiversidade amazônica e dos ecossistemas costeiros às questões agrárias, educacionais, culturais, de saúde pública, tecnologia e inovação.
Um de seus méritos centrais reside no investimento contínuo na formação de recursos humanos qualificados. Programas de bolsas de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado, além de diversos acordos de cooperação técnica, permitiram a permanência de jovens talentos no estado e reduziram, de forma significativa, a evasão intelectual. Ao estimular trajetórias acadêmicas completas no Maranhão, a FAPEMA contribuiu não somente para a consolidação de quadros docentes e pesquisadores que hoje sustentam a expansão da pós-graduação stricto sensu e a elevação de sua qualidade, como também, na produtividade e qualidade técnica dos serviços públicos e do ambiente de inovação e negócios.
Outro benefício estrutural foi o fortalecimento da cultura científica. Ao financiar projetos, eventos acadêmicos, publicações e redes de pesquisa, a Fundação ajudou a instituir práticas estáveis de investigação, avaliação por pares e produção qualificada do conhecimento. Isso se reflete no crescimento dos indicadores de pesquisa, na ampliação de grupos e professores de produtividade certificados pelo CNPq e na maior inserção nacional de pesquisadores maranhenses em redes interinstitucionais.
A FAPEMA também se destacou por sua percepção às demandas sociais e econômicas do estado. O apoio a pesquisas aplicadas, à inovação tecnológica e ao empreendedorismo científico aproximou universidades, setor produtivo e gestão pública. Projetos voltados à agricultura familiar, à saúde coletiva, à educação básica, às tecnologias sociais e à economia criativa demonstram que o fomento à ciência pode – e deve – dialogar com a redução das desigualdades e com a melhoria concreta das condições de vida da população.
Não menos relevante foi a contribuição da FAPEMA para o planejamento estratégico do Maranhão. Ao estimular estudos sobre território, infraestrutura, políticas sociais, cultura e desenvolvimento regional – como no edital Plano Maranhão 2050 – a Fundação ajuda a produzir conhecimento qualificado para a tomada de decisões públicas, reafirmando a centralidade da ciência como fundamento de políticas de Estado, e não apenas de governo.
Por fim, é preciso destacar a estabilidade no financiamento à ciência no Maranhão, fruto da sensibilidade do governador Carlos Brandão, o que tem garantido continuidade institucional e de afirmação do valor público do conhecimento. A resiliência do Prêmio FAPEMA, ao longo de vinte anos, demonstra que investir em ciência, tecnologia e formação não é um custo, mas uma condição indispensável para o desenvolvimento soberano, inclusivo e sustentável.
Celebrar essa trajetória é, portanto, reconhecer que o Maranhão avançou porque apostou na inteligência de seu povo, na capacidade crítica de suas universidades e na ciência como horizonte estratégico. Que os próximos anos aprofundem esse compromisso e ampliem ainda mais os frutos já colhidos.

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