segunda-feira, 16 de março de 2026

Coronel Augusta relata trajetória na Polícia Militar e destaca avanços da Lei Maria da Penha no programa Xeque-Mate

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O programa Xeque-Mate, apresentado pelos jornalistas Matias Marinho e Janayna Ricoly, recebeu como entrevistada a coronel Augusta Andrade, diretora de Segurança Institucional da Defensoria Pública do Maranhão (DPE/MA). Durante a conversa, a oficial falou sobre sua trajetória na Polícia Militar, os desafios enfrentados pelas mulheres na corporação e as atualizações na Lei Maria da Penha, considerada um dos principais instrumentos de proteção às mulheres no Brasil.

Ao relembrar o início da carreira, a coronel Augusta contou que decidiu ingressar na vida militar após prestar concurso em 1992, buscando estabilidade profissional. Natural do Piauí, mas morando em Caxias na época, ela realizou a formação na academia da Polícia Militar do Rio de Janeiro, onde permaneceu por três anos. Ao retornar ao Maranhão, em 1995, enfrentou dificuldades típicas de um ambiente ainda predominantemente masculino, inclusive na escolha das primeiras lotações de trabalho.

Segundo a oficial, naquela época as mulheres ainda tinham espaço limitado dentro da corporação. Dos dezoito aspirantes formados, apenas duas eram mulheres e, diferente dos colegas homens, elas não tiveram direito de escolher onde atuariam. Augusta foi designada para o Esquadrão de Polícia Montada. A experiência, no entanto, serviu como impulso para fortalecer sua determinação e buscar crescimento profissional dentro da instituição.

A coronel também relembrou a luta histórica das policiais militares por igualdade dentro da corporação. Inicialmente, mulheres integravam um grupamento feminino criado em 1982 e tinham funções restritas, como atendimento a crianças e idosos. A partir de mobilizações internas, as policiais passaram a reivindicar igualdade de direitos, incluindo a possibilidade de promoções nas mesmas condições que os homens. Em 2001, uma mudança legislativa ampliou essas oportunidades, permitindo que mulheres também concorressem aos postos mais altos da carreira.

Durante a entrevista, Augusta destacou ainda o reconhecimento nacional conquistado pela Patrulha Maria da Penha no Maranhão. O programa recebeu o Selo Brasileiro de Segurança Pública, concedido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, sendo a única iniciativa do Nordeste premiada na categoria. Além disso, o trabalho desenvolvido no estado também foi reconhecido em premiação promovida pela revista Marie Claire, ligada ao Grupo Globo, que destacou ações voltadas à proteção e acolhimento de mulheres vítimas de violência.

No debate sobre a aplicação da Lei Maria da Penha, a coronel reconheceu que casos de denúncias falsas podem ocorrer, embora sejam raros. Segundo ela, a experiência policial e o diálogo durante o atendimento ajudam a identificar situações de conflito ou tentativa de vingança. Augusta reforçou que, quando há suspeita de uso indevido da lei, tanto mulheres quanto homens são orientados a buscar os meios legais adequados para garantir que os fatos sejam devidamente apurados. A comandante também ressaltou que, nas últimas décadas, houve avanços significativos na presença feminina na segurança pública, com concursos e oportunidades cada vez mais igualitários dentro da Polícia Militar.




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