quinta-feira, 5 de março de 2026

Cada vez mais mulheres adiam a maternidade para ter maior estabilidade

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Número de mulheres que tiveram filhos depois dos 40 anos cresceu 65%.
Foto: Elza Fiuza
A decisão pela maternidade envolve uma série de questões. Uma delas é o momento profissional e financeiro da mãe. Esse tem sido um grande motivo para muitas mulheres escolherem adiar a maternidade.

Segundo o IBGE, o número de mulheres que tiveram filhos somente após os 40 anos cresceu mais de 65% em 12 anos. Outra faixa etária que apresentou alta foi a das mulheres entre 30 a 39 anos.

A administradora de empresas Andréa Carreiro faz parte desse cenário. Ela teve o filho aos 40 anos, pois priorizou estudar e construir sua vida financeira. A administradora explica o processo para chegar a essa decisão.

“Eu sempre fui uma pessoa muito focada em ter independência financeira? Até incentivada pela minha mãe, que era dona de casa, então ela sempre colocou isso na nossa cabeça. Vai estudar, trabalhar, ter seu próprio dinheiro e uma coisa que ela falava sempre é o seguinte: "o filho é da mãe e pensão não cria filho". Eu sempre cresci com essa mentalidade de que se eu quisesse ter um filho, eu teria que ter condições de prover ele 100%”.

Para o especialista em reprodução humana Newton Ishikawa, o mais importante, nesses casos, é a mulher ter hábitos saudáveis, independentemente da idade.

“A saúde clínica da mulher é mais importante que a idade. É preferível uma gestante de 42 anos saudável do que uma de 30 anos obesa, diabética e hipertensa. Dessa forma, é importante primeiramente não fumar, ter o cuidado com o peso, tratar as intercorrências clínicas que possam surgir nessa faixa etária e suspender previamente os medicamentos contraindicados na gravidez”.

Newton Ishikawa também destaca que não existem doenças específicas na faixa etária dos quarenta anos que impeçam as mulheres de terem filhos.

“Não existe uma patologia específica dessa faixa etária. Existe um risco potencial que é rastreado durante as consultas pré-natal. Todas as intercorrências que porventura possam acontecer também podem acometer mulheres mais jovens”.

Para Andréa Carreiro, adiar a maternidade foi uma escolha acertada, pois permitiu que ela tivesse uma condição melhor para cuidar do filho, que hoje é adolescente.

“Eu acho que foi muito positivo primeiro eu ter criado essa base de conforto material para depois ter o meu filho. Essas coisas, essa base material te dá uma tranquilidade. Para mim, a melhor experiência da minha vida. Ter meu filho foi um divisor de águas. Para mim, foi muito gratificante, importante”.

Ainda de acordo com o IBGE, a idade média da fecundidade no Brasil passou de 26,3 anos, em 2000, para 28,1, em 2020. A tendência foi observada em todas as regiões. Além disso, a taxa de fecundidade das brasileiras vem decrescendo. Em 1960, era de 6,28 filhos por mulher. Em 2010, o índicador caiu para 1,90 filhos por mulher.

Carolina Pessôa/ Rádio Nacional
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