Durante o debate, Braide atacou o fato de o governador Carlos Brandão nomear políticos para secretarias. Falou em “técnicos”, em gestão profissional, em tirar a política da máquina pública. Soa bonito no papel. Só que quem conhece Braide de perto — vereadores, lideranças comunitárias, prefeitos — sabe exatamente o que esse discurso significa na prática. Significa que eles não serão ouvidos. Significa que a política, para Braide, é um estorvo.
A pergunta que fica é simples: se Braide não conversa com vereadores, se não recebe lideranças comunitárias, se não dialoga com prefeitos do interior — com quem ele vai governar o Maranhão? Com “técnicos” que ele mesmo escolhe, sem nenhuma interlocução com quem conhece a realidade de cada município?
O vereador Edson Gaguinho, de São Luís, já alertou publicamente sobre isso. Disse que ajudou Braide, abriu espaço político para ele na periferia, e nunca foi sequer recebido na Prefeitura. Classificou a experiência como uma “grande decepção” e fez um alerta que serve para todo o Maranhão: “Conheçam bem as pessoas antes de depositarem sua confiança”.
Não é um caso isolado. Aliados do interior que apoiaram a pré-candidatura de Braide já começam a reclamar da dificuldade de acesso, do diálogo limitado, das promessas que não se concretizam. O padrão é claro: Braide usa a política quando precisa dela para se eleger, e descarta quando não precisa mais.
E é aí que mora o perigo. Um governador que despreza a classe política é um governador que despreza a negociação, o diálogo, a construção coletiva. É um governador que governa por canetada, por decreto, por imposição. É o mesmo perfil que o Maranhão já conheceu de perto, o gestor que se acha acima do debate, acima da crítica, acima da política.
Braide diz que não quer “discutir ideologia”. Diz que é “pra frente”. Mas o que ele chama de pragmatismo, os vereadores, prefeitos e lideranças comunitárias chamam de outra coisa: arrogância. A mesma arrogância que fez dele um prefeito que não recebia vereadores. A mesma que fará dele um governador que não receberá prefeitos.
A pergunta não é se Braide vai governar com técnicos. É se o Maranhão está disposto a ter um governador que trata a política como obstáculo. Porque quem despreza a política hoje, amanhã despreza quem o elegeu. É sempre assim.
A verdade não se curva.

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