quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Artigo: O que está sendo preparado para depois da eleição? por Matias Marinho, jornalista

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A frase não veio de um blogueiro. Não veio de um canal de YouTube. Não veio de um perfil de rede social. Veio da CNN, na televisão, dita por Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, num tom que misturava cautela e constrangimento.

Ele hesitou antes de responder. Pediu para reformular. Tomou fôlego. E então disse: “Eu acho que a gente já tá experimentando muito mais a força do que o leito institucional.” E completou: “A palavra força, mais uma vez, entenda-se como ditadura.”

Um especialista. Na maior emissora de notícias do país. Ao vivo. Não é pouco. Não é exagero. Não é narrativa de rede social. É o reconhecimento, dentro do próprio sistema, de que o Brasil está vivendo algo que foge do leito institucional.

E ele foi além. Disse que “isso tem roupa jurídica, mas é força”. Disse que a sociedade precisa recuperar a capacidade de chamar esses atos pelo nome. Disse que é ato de força, não convicção, não razão. E citou um exemplo concreto: um pedido para que um ministro do STF destitua outros dois ministros do TSE. Isso tem aparência jurídica. Mas é força.

O que estamos vendo não é um debate sobre legalidade. É um debate sobre poder. Sobre quem decide. Sobre quem tem a caneta. E sobre o que acontece quando a caneta substitui o voto, a articulação, a política.

O mais significativo da fala de Leonardo Barreto não é o que ele disse — é o fato de ele ter dito. Todo mundo já sabe. Todo mundo já percebeu. Mas ninguém no mainstream tinha tido coragem de nomear com todas as letras. Ele nomeou. E ao nomear, escancarou o que muitos tentam esconder: o país está sendo conduzido não por convicções, não por razão, não por debate democrático. Está sendo conduzido pela força.

Pela canetada. Pela decisão monocrática que atropela o colegiado. Pela medida que ignora o devido processo. Pelo ato que muda as regras do jogo conforme a conveniência de quem está no comando.

E o pior: enquanto isso, uma potência estrangeira observa. A maior delas. E, como disse o próprio especialista, a crise interessa a quem quer influenciar o continente. A crise fragiliza. A crise abre espaço. A crise é o convite para que outros decidam por nós.

O Brasil precisa recuperar a capacidade de nomear o que está acontecendo. Não é “ativismo judicial”. Não é “interpretação constitucional”. Não é “proteção da democracia”. É força. É ato de força. E enquanto a gente não chamar pelo nome, a gente vai continuar fingindo que está tudo dentro do leito institucional.

A verdade não se curva.


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