terça-feira, 27 de outubro de 2026

Editorial: “Day After: O dia em que a canetada virou o jogo”; por Matias Marinho

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Portal CN1 News 

O dia seguinte é sempre o momento da verdade. E a verdade que emerge deste 26 de outubro é uma só: a eleição acabou, mas a crise não. Recomeçou.

Tudo começou com uma canetada. O ministro Cristiano Zanin, do STF, decidiu prorrogar a votação por duas horas em todo o país, atendendo a um pedido da campanha de Lula. O detalhe que ninguém consegue explicar: o TSE, comandado por Kassio Nunes Marques, ainda analisava os pedidos, tanto do PT quanto o do PL, quando Zanin se antecipou e decidiu por conta própria .‌

O resultado: uma confusão generalizada. Seções que já haviam fechado às 17h não puderam ser reabertas. Eleitores que chegaram atrasados ficaram sem votar. E o TSE, que deveria ser o árbitro, foi atropelado pela caneta do ministro advogado e amigo do Lula‌.

A comparação com a Venezuela não é exagero de bolsonarista. É o que a imprensa internacional está dizendo. O advogado da Trump Media, Martin De Luca, foi taxativo: “Lula se torna o próximo Nicolás Maduro?”. A pergunta ecoa porque a lógica é a mesma: prorrogar a votação quando o favorito está perdendo, para tentar reverter o quadro.

E não para por aí.

No discurso da vitória, Lula mostrou o que realmente importa para ele. Não foi a economia, não foi a segurança, não foi a saúde. Foi a comunicação digital. Ele chamou André Janones de “meu general” e prometeu: “a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo” .‌

A ironia é cirúrgica. O mesmo Lula que, durante a campanha, atacou Flávio Bolsonaro chamando-o de “miliciano” e prometeu regular as mídias digitais, agora exalta o homem que comandou um “exército” de 10 milhões de pessoas no WhatsApp para espalhar conteúdo . É a incoerência em estado bruto: as redes são perigosas quando o adversário usa, mas são “o exército da democracia” quando o aliado comanda.‌

Enquanto isso, do outro lado, Bolsonaro não aceita o resultado. Diz que vai recorrer. E já se fala em retenção de passaporte. O país que se acostumou a dar lições de democracia ao mundo agora assiste a uma eleição contestada, um TSE atropelado e uma crise institucional que pode se arrastar por meses.

A pergunta que fica é simples: se a canetada de Zanin não mudou o resultado, por que ela foi dada? E se mudou, o que sobra da democracia brasileira?

Aqui, a verdade não se curva.


Matias Marinho é jornalista e apresentador do programa Xeque-Mate, retransmitido pela Rádio Verdes Mares FM, de São José de Ribamar, e pelas redes sociais. @matiasmarinho_ | @xequenews | @xequemateprogramacast | @fmverdesmares106

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