terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Os protetores do erário e seus telhados de vidro

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Terça-Feira, 04 de fevereiro de 2014

Do blog Café Pequeno





Veja como são as coisas, caro leitor! Depois de 12 anos em silêncio absoluto sobre estradas e licitações, a oposição agora resolveu se preocupar justamente com... estradas e licitações. Para isso, juntou uma trupe formada por blogueiros e ativistas de facebook com o objetivo de fiscalizar obras na cidade e na zona rural. A ideia é descobrir algum problema para então iniciar a artilharia pesada em blogs e redes sociais. A obsessão em atingir o governo é tanta que até um simples acidente envolvendo uma caçamba da empresa Júnior Construções serviu de mote para atacar a prefeita. Porém, quando estavam sob a batuta de Magno e Danúbia, o comportamento desses supostos “protetores do erário” era bem diferente.

Nenhum deles, por exemplo, reclamou ou saiu para fiscalizar obras em 2010, quando Danúbia ainda estava no poder. Na época, um folheto da paróquia de Chapadinha intitulado Vida Nova já denunciava a situação das estradas na zona rural. “As estradas vicinais estão todas como estavam o ano passado no fim das chuvas. Quem vai poder transitar por elas durante este inverno? E lembramos que tem estradas de Chapadinha para Tutanguira, Incurana, Canto do Ferreira, Mangueira, Bacuri, Poço de Pedra, Loloia, Lagoa dos Farias, S. Maria do Guará, Veredão… É que todos os anos arranjam alguns quilômetros da estrada que dá para Alagadiço Grande como se esta fosse a única estrada vicinal de Chapadinha” (veja mais aqui) 

Pois bem. Quer dizer então que, quando não havia nenhuma estrada, com exceção das que davam para as terras do ex-prefeito Magno Bacelar, só os padres questionavam. Agora que a atual prefeita constrói estradas em lugares onde há 60 anos só havia veredas, então se mobiliza uma força-tarefa oposicionista para reclamar? E porque não fiscalizar também as cisternas do Canto do Ferreira? E os atuais contratos da Câmara? E as creches e escolas que nunca foram concluídas nas gestões anteriores? Outro exemplo de como essa gente se comporta quando está no poder: recentemente o Ministério Público entrou com uma Ação Civil Pública requerendo a indisponibilidade dos bens de Magno Bacelar em até R$ 2 milhões. Foram constatadas, entre outras irregularidades, vícios em processos licitatórios, ausência de prestação de contas e pagamentos indevidos de despesas (clique aqui).

O leitor, por acaso, viu algum desses paladinos da moralidade se pronunciar sobre irregularidades em licitações nessa época ou mesmo quando foi publicada a notícia? Eu não. Estavam quase todos muito bem acomodados na máquina pública (alguns fazendo turismo e outros fingindo-se de técnicos em saúde). Vejam bem: não estou querendo dizer que não se deve fiscalizar ou acompanhar os gastos públicos. Isso é dever de qualquer cidadão. Mas é preciso distinguir entre aqueles que realmente  se interessam pelo bem estar da coletividade e os que se utilizam de artifícios os mais variados para esconder suas verdadeiras intenções. Algo relativamente fácil de perceber na nossa província. Basta analisar o passado dos que agora apontam o dedo e jogam pedras para descobrir o óbvio: a maioria tem telhado de vidro.

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